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Brasil é o terceiro país com pior desigualdade de renda da América Latina
Sexta-Feira, 23 de Julho de 2010 - 15:11

O Brasil é o terceiro colocado no ranking da desigualdade de renda na América Latina, segundo dados do relatório do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), apresentado nesta quinta-feira (22). O país só é superado na região pela Bolívia e pelo Haiti. No mundo, o Brasil está em sétimo lugar, atrás ainda de Camarões, Madagascar, África do Sul e Tailândia.

Segundo o documento, o Brasil foi “um dos países de maior sucesso na redução da desigualdade nos últimos oito anos”, mas ainda não conseguiu deixar o grupo dos dez países mais desiguais do mundo em termos de distribuição de renda. Na América Latina, os países que seguem na contramão, com maior igualdade, são Argentina, Costa Rica, Uruguai e Venezuela.

Para o Pnud, a América Latina e o Caribe “são as regiões mais desiguais do mundo", afirma o relatório.

- A alta e persistente desigualdade constitui um obstáculo para o avanço social da região. Ela freia o desenvolvimento humano.

Segundo o órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), existem “mecanismos tanto em nível doméstico quanto no sistema político que reforçam a reprodução da desigualdade" de uma geração a outra. O Pnud afirma que “é possível reduzir a desigualdade na região mediante ações concretas, integrais e eficazes, com políticas públicas que tenham alcance, amplitude e envolvimento dos cidadãos”.

O coordenador do relatório regional, Luis Felipe López Calva, disse que os planos contra a pobreza na região “não são suficientes” e são necessárias políticas contra a desigualdade, como medidas para melhorar a qualidade da educação, ampliar o emprego formal e proporcionar salários mínimos adequados, além de acesso a serviços públicos.

O coordenador do Pnud Isidro Soloaga acrescentou que a desigualdade é uma herança na América Latina, que favorece “o clientelismo político, a corrupção e o frágil compromisso com a ação pública”.

Impostos

Soloaga destacou que na América Latina os impostos incidem principalmente sobre o consumo, o que afeta os mais pobres.

O relatório adverte que o peso da desigualdade é tão alto na América Latina que se o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mundial, que o Pnud avalia há 20 anos, fosse corrigido levando em conta esse aspecto, a região cairia “mais de 15%” em seu nível de desenvolvimento humano.

Fonte: MS Record

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