Lei cósmica, universal: opostos complementares se enroscam em tudo e em todas as coisas. Não há negatividade que não carregue uma semente de positividade, e vice-versa. Boas coisas carregam um pingo de problema e os mais fortes conflitos são portadores de algum esclarecimento, por mínimo que seja.
É assim que encaro as meritosas conquistas obtidas pelas mulheres em geral nesses últimos cem anos. Cem anos! É bastante tempo um século, sobretudo se avaliarmos através da escala de uma vida individual. Foi longa luta, aguerrida, com lances dramáticos e espetaculares, empenho de mais de uma geração de gente sonhadora (no melhor sentido da palavra) e cheia de ideais superiores.
As mulheres se elevaram, ascenderam ao mesmo patamar dos homens em todas as áreas e campos dos desafios práticos. Contudo, e me preocupo, como não há vitória absoluta, um espaço se poluiu de problemas e conflitos: o do trabalho.
O trabalho atravessou o século 20, consumindo cada vez mais o grosso das horas de nosso dia. Todas as coisas da vida – sono, divertimento, amigos, família – tem de se adaptar às exigências implacáveis do todo-poderoso. Trabalhar demais é ruim para nosso corpo físico e nosso corpo astral. A humanidade precisa aprender a aproveitar os ganhos de rendimento em termos de tempo extra e não em termos de renda mais alta. É degradante e revela pouco discernimento em relação aos grandes questionamentos cósmicos estar, como a cada dia mais e mais pessoas, trabalhando potencialmente o tempo todo.
Terrível notar o trabalho, fonte de júbilo e crescimento espiritual, passar de aliado a inimigo. Desde o início da nossa aventura ele foi atividade rara e original que permitia ao ser humano, mesmo no nível do mar das coisas concretas do mundo (revolvendo a terra, ordenhando um animal, cimentando tijolos, tecendo um casaco), transcender-se no orgulho daquilo criado, reconhecer talentos, dons e méritos que o elevavam às alturas jubilosas das montanhas imateriais. Porém, nos dias em que estamos, infelizmente, o trabalho deixa de ser essa escalada de dignidade, brio e altivez para causar injustificado cansaço, estresse, doença e infelicidade.
Com tempo minguado, a questão verdadeiramente mais importante de todas – qual a finalidade da vida? -, não encontra possibilidade de ser apreciada. Assim como todos os meus pares espiritualizados, tenho erguido minha capacidade sensitiva e a voz para indicar às pessoas como elas devem fazer para trabalhar menos e melhor, vivendo mais tranqüila e criativamente, colhendo os benefícios de uma maior maturidade espiritual, menos ansiosa e tensa.
Para uma cliente demasiado desesperada pela competição canina no emprego, apresentei, há alguns anos, o anátema: “trocar de carro frequentemente, ou acompanhar a educação da sua filha?” Hoje, recompensadas por uma mulher formidável, podemos avaliar a correção da escolha feita.
Fonte: Terra

