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"Regularize Já" da SEFAZ-MS exige nova postura das empresas sob risco de multas de 100%


Novo programa do Governo do Estado foca na autorregularização via cruzamento de dados de PIX e cartões, mas especialistas alertam: agir sem estratégia pode custar caro.
Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul - Gerson Oliveira Por: Soares Filho | 23/04/2026 09:25

Na recente publicação da Resolução nº 3.489/2026, a Secretaria de Fazenda (SEFAZ-MS) oficializou o programa “Regularize Já”, uma plataforma que promete simplificar a vida do contribuinte, mas que esconde armadilhas para os desavisados.

O novo programa altera a dinâmica de fiscalização no Estado, que ao invés de autuar o empresário de surpresa, o Fisco agora disponibiliza no portal e-Fazenda um relatório apontando indícios de irregularidades.

O foco é detalhado no cruzamento de dados de vendas no cartão de crédito, PIX e o que foi efetivamente declarado, especialmente para empresas do Simples Nacional.
O governo defende a medida como “educativa e de transparência”, permitindo que o empresário corrija os erros de forma voluntária, sem a abertura imediata de um procedimento fiscal punitivo. No entanto, o relógio corre contra quem ignora o aviso.

Risco oculto 
Se por um lado o programa evita o contencioso judicial, por outro, ele não perdoa a inércia. Caso as divergências apontadas pelo sistema não sejam justificadas ou pagas no prazo, a SEFAZ-MS pode abrir uma autuação formal. Nesses casos, a cobrança do ICMS devido é somada a multas que podem chegar a 100% do valor da infração.

Para o setor contábil, o momento exige frieza. Aceitar cegamente o que o portal do Fisco aponta pode ser tão prejudicial quanto ignorá-lo.

“O Regularize Já é vendido como um alívio educativo, mas na prática, é a SEFAZ mostrando que já sabe de tudo o que acontece no caixa da empresa”, explica o contador e especialista tributário Luzemir Barbosa, da Contili Contabilidade. 

“O maior erro que um empresário pode cometer agora é entrar no sistema e simplesmente confessar a dívida para se livrar do problema. Muitas vezes, o cruzamento do Fisco não considera isenções específicas, devoluções de vendas ou particularidades daquele negócio. Confessar sem antes fazer uma auditoria interna é rasgar dinheiro”, avalia Luzemir.

 

Correio do Estado



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