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Guerra no Oriente Médio eleva fertilizantes em até 65% em MS


Disparada do NPK lidera alta em Mato Grosso do Sul e pressiona custo da próxima safra agrícola.
Guerra no Oriente Médio eleva fertilizantes em até 65% em MS - Marcos Maluf / Aprosoja-MS. Por: Soares Filho | 29/04/2026 09:32

Os preços dos fertilizantes dispararam em Mato Grosso do Sul e já pressionam o custo de produção da safra deste ano. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a alta chega a 65% no Estado, puxada principalmente pelo NPK 04-30-10 (nitrogênio, fósforo e potássio), um dos insumos mais utilizados nas lavouras.

Em março de 2025, a tonelada do fertilizante era comercializada a R$ 3.355, já no mesmo mês deste ano, o preço saltou para R$ 5.544 por tonelada – aumento de 65,2%. A elevação não se restringe ao NPK. Outros insumos também registraram aumento no período, embora em menor intensidade.

O MAP (fosfato monoamônico) subiu de R$ 5.285 para R$ 5.462 por tonelada (3,3%), enquanto o cloreto de potássio (KCl) passou de R$ 2.900 para R$ 2.990 (3,1%).

Entre os corretivos, o calcário dolomítico avançou de R$ 212,40 para R$ 233,39 por tonelada, alta próxima de 10%. Já o gesso agrícola teve elevação de 11,4%, saindo de R$ 350 para R$ 390. Os dados reforçam um cenário generalizado de encarecimento dos custos no campo.

A disparada dos fertilizantes está diretamente ligada ao cenário externo. A escalada do conflito no Oriente Médio tem impactado a produção, a logística e os custos de energia em regiões estratégicas para o fornecimento global de insumos.

Conforme o boletim econômico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), a dependência global de grandes fornecedores, como Rússia, Belarus e China, somada aos custos energéticos, especialmente do gás natural, que é base para nitrogenados, mantém o mercado sensível a oscilações geopolíticas e logísticas.

“A safra 2025/2026 reforça que não basta produzir mais, é preciso que preço e custo estejam alinhados. A soja conseguiu compensar parte da pressão com ganho de produtividade, mas o milho segue mais exposto, com custos elevados, principalmente com fertilizantes, e preços que não reagiram na mesma intensidade. Esse cenário exige atenção desde já no planejamento da próxima safra”, avalia o analista de Economia da Aprosoja-MS, Mateus Fernandes.

A análise reforça que o momento exige atenção, já que, com margens mais estreitas e maior volatilidade no mercado internacional, decisões relacionadas com a compra e o uso de insumos tendem a ser cada vez mais determinantes para o resultado financeiro da atividade agrícola.

Segundo a consultoria Itaú BBA, os nitrogenados lideram o movimento de alta. A ureia, principal fonte de nitrogênio, acumulou valorização expressiva e chegou a cerca de US$ 760 por tonelada CFR (custo e frete) em abril, impulsionada pelo aumento do gás natural e pela restrição de oferta.

Os fosfatados também seguem pressionados. O MAP atingiu aproximadamente US$ 890 por tonelada CFR, influenciado pela alta do enxofre, insumo essencial na produção.

“Para os próximos meses, a expectativa é de avanço gradual da demanda, enquanto os preços permanecem sustentados, ainda que com menor volatilidade em relação aos nitrogenados e fosfatados”, aponta a consultoria.

 

Correio do Estado



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