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TRE-MS reprocessa votos e PL perde vaga para o PSDB após cassação de Raquelle Trutis


Decisão interfere na Assembleia Legislativa e Neno Razul deve perder mandato
João Cesar deve assumir o lugar de Neno Razulk na AL. Por: Soares Filho | 21/05/2026 10:36

CAMPO GRANDE (MS) – Em ato oficial realizado nesta quinta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) concluiu o reprocessamento dos votos das eleições de 2022. A medida cumpre a determinação judicial após a condenação definitiva do ex-deputado federal Loester Trutis e de sua esposa, Raquelle Trutis, pelo crime de lavagem de dinheiro público de campanha. O resultado do recálculo confirma a mudança na composição da Assembleia Legislativa, com o PL perdendo uma cadeira para o PSDB. A informação sobre as condenações havia sido antecipada no último domingo (17) pelo jornalista Wendell Reis do portal Investiga MS (www.investigams.com.br).

Originalmente, o PL havia somado 132.945 votos na disputa para deputado estadual. Com a anulação dos votos obtidos por Raquelle, a legenda recuou para 122.163 sufrágios. A queda no quociente partidário fez com que o partido perdesse a vaga para a federação PSDB/Cidadania, que totalizou 293.036 votos e assegurou a sua sétima cadeira no parlamento estadual. Com a dança das cadeiras, Neno Razuk (17.023 votos) assume a vaga, enquanto João César Mattogrosso (11.650 votos) fica na suplência.

Condenação definitiva e multa milionária

A recontagem é o desfecho de uma decisão soberana do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da qual não cabem mais recursos. Os ministros Cármen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques mantiveram o entendimento do tribunal regional de que o então casal utilizou recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) de forma ilícita.
A corte condenou os políticos pela lavagem de R$ 776 mil em verbas públicas. Após a aplicação de juros e correção monetária, o valor que a dupla precisará devolver aos cofres públicos já ultrapassa a marca de R$ 1 milhão.

O esquema de "valores cruzados"

De acordo com as investigações validadas pelos desembargadores e ministros, o ex-casal montou um esquema baseado no uso de duas empresas para simular a prestação de serviços e ocultar o desvio do dinheiro público. Havia uma triangulação de "valores cruzados", onde as empresas recebiam repasses de ambos os candidatos para mascarar as movimentações financeiras.
O corpo técnico da Justiça Eleitoral e os magistrados apontaram graves inconsistências na prestação de contas que fundamentaram a condenação, tais como:
•    Contradições profundas nos depoimentos dos envolvidos;
•    Ausência total de comprovação física ou documental dos serviços que supostamente teriam sido prestados;
•    Empresas registradas em endereços inexistentes ou incompatíveis com as atividades declaradas.
A defesa dos réus tentou reverter o cenário nas instâncias superiores, mas os ministros do TSE foram unânimes ao apontar que não foram apresentados novos fatos ou provas capazes de contestar o vasto conjunto probatório construído desde o início do processo. Com o reprocessamento finalizado, a nova configuração da bancada estadual passa a valer de forma imediata. 

Foro privilegiado

Quando for notificada oficialmente a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa deverá empossar João César Mattogrosso no cargo. Com isso, além de ficar sem o mandato, Neno Razuk ainda perde o foro privilegiado. Ele enfrenta uma condenação (que está sob recurso) por conta da Operação Sucessione, que investiga a disputa pelo jogo do bicho em Campo Grande. (Fábio Dorta - com informações de Wendell Reis/Investiga MS)

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