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Imagens do Projeto da Esmagadora da Copasul, em construção em Naviraí.
Por: Soares Filho | 28/06/2026 11:53
Mato Grosso do Sul ainda exporta 43% da soja produzida sem qualquer processamento industrial, comercializando o grão como commodity mesmo figurando entre os maiores produtores do país. Um estudo da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) conclui que parte desse volume poderia permanecer no Estado para abastecer novas indústrias de esmagamento, agregando valor à produção, fortalecendo a agroindústria e reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima.
A avaliação mostra que o potencial para ampliar a industrialização vai além da teoria. Mesmo considerando o parque industrial atualmente instalado e o volume exportado, Mato Grosso do Sul ainda teria cerca de 1,71 milhão de toneladas de soja potencialmente disponíveis para abastecer uma nova indústria de processamento. A estimativa indica que ainda existe espaço para expandir a verticalização da cadeia produtiva no Estado..
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Esmagadora de soja em Dourados, uma das seis em operação no estado (Foto: Coamo/Divulgação).
O cenário parte de uma base robusta de produção. Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul colheu 14,06 milhões de toneladas de soja e outras 13,9 milhões de toneladas de milho. Enquanto apenas 14,4% do milho produzido foi exportado, quase metade da soja deixou o Estado na forma de grão, sem passar por qualquer etapa de beneficiamento industrial.
A proposta do estudo é ampliar o processamento interno dessa matéria-prima. No esmagamento, a soja é transformada principalmente em farelo, destinado à alimentação animal, e óleo bruto, utilizado pelas indústrias alimentícia, química e de biocombustíveis. Além de agregar valor ao produto, a industrialização amplia a diversificação econômica e reduz a exposição às oscilações do mercado internacional de commodities..
Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com seis indústrias de esmagamento em operação e uma sétima unidade em construção. As plantas industriais estão localizadas em Dourados, onde operam Coamo e Bunge; Campo Grande (ADM); Três Lagoas (Cargill); Caarapó (Cooperativa Lar); e Sidrolândia (Rio Pardo Proteína Vegetal). Em Naviraí, a Copasul implanta uma nova unidade. Juntas, as plantas possuem capacidade para processar aproximadamente 17,5 mil toneladas de soja por dia, o equivalente a 6,3 milhões de toneladas por ano.
Outro ponto destacado pelo levantamento é que a expansão das esmagadoras pode ajudar a enfrentar um dos principais gargalos da logística agrícola estadual: a armazenagem. Mato Grosso do Sul possui 627 unidades armazenadoras, com capacidade estática para 15,59 milhões de toneladas, enquanto a produção conjunta de soja e milho supera 28 milhões de toneladas. O déficit estimado é de aproximadamente 12,4 milhões de toneladas..
Esse desequilíbrio faz com que parte da produção precise ser comercializada durante a colheita ou deslocada para outros municípios e estados, elevando custos com transporte e armazenagem terceirizada. Segundo o estudo, apenas oito dos 78 municípios sul-mato-grossenses possuem capacidade de armazenagem superior ao volume produzido. Nos demais, o déficit reduz a flexibilidade comercial dos produtores e aumenta a pressão pelo escoamento da safra.
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