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Por: Soares Filho | 20/07/2026 07:55
O Brasil, o Paraguai e a Bolívia discutem um acordo para criar um modelo de governança compartilhada da Hidrovia do Rio Paraguai, entre Corumbá (MS) e a foz do rio Apa. A proposta prevê regras comuns para serviços como balizamento, sinalização náutica, monitoramento hidrológico, comunicação operacional e uso de tecnologias para acompanhar o tráfego de embarcações e as condições ambientais.
A Hidrovia do Paraguai é um dos principais corredores logísticos da América do Sul. Com 3.442 quilômetros navegáveis, liga Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai, conectando regiões produtoras aos mercados da Bacia do Prata e ao comércio internacional.
No trecho brasileiro, a hidrovia possui 1.272 quilômetros entre Cáceres (MT) e a confluência com o rio Apa. A área de influência abrange 20 municípios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, atendendo cidades como Cuiabá, Cáceres, Poconé, Corumbá, Ladário, Miranda, Aquidauana e Porto Murtinho, onde vivem cerca de 1,17 milhão de pessoas.
O corredor é estratégico para o transporte de minérios, soja, combustíveis e outros produtos, movimentando aproximadamente 10 milhões de toneladas de cargas por ano. O transporte hidroviário reduz custos logísticos, aumenta a competitividade das exportações e diminui o fluxo de caminhões nas rodovias, já que um comboio de barcaças pode transportar carga equivalente à de centenas de veículos.
A navegação ocorre de formas diferentes ao longo da hidrovia. No Tramo Sul, entre a foz do rio Apa e Corumbá (MS), operam grandes comboios com capacidade para transportar até 24 mil toneladas por viagem. Já no Tramo Norte, entre Corumbá e Cáceres, a navegação é feita por embarcações menores devido ao assoreamento, às ilhas fluviais e às curvas do rio.
A gestão integrada é considerada fundamental para garantir mais segurança, eficiência e previsibilidade às operações. A iniciativa também deve fortalecer a integração logística entre os países da Bacia do Prata e ampliar a competitividade da Hidrovia do Paraguai no longo prazo.
Capital News