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Trecho entre Corumbá a Mairinque (SP), volta a ser pauta no governo federal
Por: Soares Filho | 25/09/2026 09:17
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prevê publicar até o fim de 2026 o edital para uma nova concessão da Malha Oeste, ferrovia que liga Corumbá, em Mato Grosso do Sul, ao interior de São Paulo. A estimativa foi apresentada pelo diretor substituto da agência, Marcelo Cardoso Fonseca. O projeto prevê aproximadamente R$ 35,7 bilhões em investimentos para recuperar cerca de 1,6 mil quilômetros de trilhos.
Quatro grupos aparecem entre os potenciais interessados na concessão: Rumo, MRS, FCA e J&F. O grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista ainda não atua como operador ferroviário, mas controla empresas que movimentam grandes volumes de carga nas duas extremidades da ferrovia em Mato Grosso do Sul. A LHG Mining produz minério em Corumbá, enquanto a Eldorado Celulose mantém operações em Três Lagoas.
A Malha Oeste está sem transporte comercial desde dezembro de 2025. O último trem levou minério por um trecho de aproximadamente 45 quilômetros em Corumbá. Desde então, parte da produção passou a ser transportada por rodovias. Em junho, a LHG informou que cerca de 300 carretas por dia utilizavam a BR-262 e o acesso ao Porto Gregório Curvo. “Se for necessário investir, nós vamos investir”, afirmou na ocasião o representante da empresa, Jamil Sebe.
A antiga concessão terminou em 30 de junho, depois de três décadas. A Rumo permanece responsável temporariamente pela estrutura por meio de um contrato emergencial que prevê serviços como vigilância, roçada e limpeza, sem transporte de cargas. Posteriormente, a conservação deverá passar ao Dnit, que abriu licitação estimada em R$ 212,5 milhões para cuidar da ferrovia a partir de janeiro de 2027.
Entre os principais desafios do projeto está o trecho entre Campo Grande e Corumbá, que atravessa o Pantanal e exige investimentos elevados. O modelo em análise prevê participação da União de até R$ 3,6 bilhões, enquanto a escolha do futuro concessionário deverá considerar fatores como tarifa e necessidade de recursos públicos. O ramal entre Campo Grande e Ponta Porã também foi reinserido no projeto a pedido do governo estadual. Não há previsão, até o momento, para transporte de passageiros.
Capital News