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Por: Soares Filho | 19/10/2026 10:02
A suinocultura brasileira apresenta sinais de recuperação após meses de margens apertadas. O preço do suíno vivo acumulou alta de 14,71% na primeira quinzena de outubro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgados nesta sexta-feira (16).
A valorização, somada à queda nos custos da ração registrada nos meses anteriores, melhorou o poder de compra dos produtores e abriu espaço para recompor o caixa das granjas e retomar investimentos.
No atacado da Grande São Paulo, os preços da carcaça especial suína e da carne bovina registraram aumentos superiores aos do frango, conforme levantamento do Cepea. Com as cotações da avicultura mais estáveis, a carne de frango se consolidou como a proteína mais barata para o consumidor.
A diferença de preços entre as carnes exige atenção da cadeia suinícola. Caso a carne suína fique significativamente mais cara que as alternativas, parte dos consumidores pode optar pelo frango, o que tende a afetar a demanda e limitar novas valorizações.
Apesar da recuperação recente, os custos de produção voltam a preocupar o setor. O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) avançou 3,62% em setembro na comparação com agosto, impulsionado principalmente pela alta de 6,58% nos grãos.
Como o milho e o farelo de soja são componentes fundamentais da alimentação dos animais, o encarecimento dessas matérias-primas pode elevar novamente as despesas das granjas.
Se os preços do suíno vivo não acompanharem o aumento dos custos, a rentabilidade recuperada nas últimas semanas poderá voltar a diminuir.
No médio prazo, as perspectivas para a produção brasileira de grãos podem ajudar a conter os custos da suinocultura. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2026/27 estima uma produção recorde superior a 367 milhões de toneladas.
A expectativa de maior oferta de soja e milho pode contribuir para limitar a alta dos preços e favorecer a alimentação animal. Entretanto, o cenário ainda depende de fatores como os possíveis efeitos do El Niño sobre o plantio, os juros elevados e o aumento da demanda por soja destinada à produção de biodiesel.
Dessa forma, embora a valorização do suíno vivo represente um alívio para os produtores, a manutenção das margens dependerá do comportamento dos custos da ração, da demanda por carne suína e das condições da próxima safra.
Capital News