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Exportações de carne bovina somam US$ 12,97 bilhões em 2026


Brasil amplia vendas aos Estados Unidos diante da redução das compras chinesas e busca novos mercados para manter a competitividade internacional
Brasil bate recorde de exportação de carne bovina em julho, antes do tarifaço dos EUA Por: Soares Filho | 19/10/2026 10:06

A pecuária de corte brasileira enfrenta mudanças no cenário internacional em 2026, com a necessidade de diversificar os destinos das exportações de carne bovina. Restrições temporárias impostas pela cota de importação da China e barreiras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na União Europeia têm exigido novas estratégias comerciais do setor.

O panorama foi apresentado por especialistas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) durante reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP.

Mesmo diante das restrições, o faturamento das exportações brasileiras de carne bovina alcançou US$ 12,97 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume embarcado chegou a 2,11 milhões de toneladas, queda de 1,5%, compensada pela valorização de 15,9% no preço médio da proteína.

O Brasil responde por 31% do comércio mundial de carne bovina, mantendo posição de destaque no abastecimento internacional.

China reduz compras e Estados Unidos ampliam demanda

A participação chinesa nas exportações brasileiras caiu em setembro após o esgotamento da cota de importação de 1,1 milhão de toneladas, atingida em agosto. A fatia do país asiático, que representava 42,5% das compras brasileiras no acumulado do ano, recuou para 5,6% em setembro.

Na comparação com setembro de 2025, o volume exportado para a China diminuiu 94,2%. Parte da carne brasileira permanece armazenada em câmaras frias no país asiático, aguardando a renovação da cota, prevista para o fim de outubro.

Com a redução das compras chinesas, os Estados Unidos ganharam espaço e lideraram as importações de carne bovina brasileira em setembro, respondendo por 21,5% do volume embarcado. De janeiro a setembro, as vendas para o mercado norte-americano cresceram 45% em relação ao mesmo período de 2025.

O avanço foi impulsionado por uma cota suplementar de 300 mil toneladas de carne magra destinada ao processamento de hambúrgueres, válida entre setembro e novembro. A demanda também é influenciada pela redução do rebanho bovino dos Estados Unidos, apontado como o menor em 75 anos, cenário que aumenta a necessidade de abastecimento externo.

Concorrência internacional e novos mercados

As análises da CNA e do Sistema FAEP apontam limitações na oferta de outros fornecedores globais. A Austrália enfrenta instabilidades climáticas, a Argentina busca recuperar sua produção e o Uruguai destina mais de 90% de seu volume à exportação.

Diante das barreiras no mercado europeu, que envolvem exigências sanitárias e futuras cobranças relacionadas ao desmatamento e ao bem-estar animal, o setor brasileiro também avalia ampliar a presença em outros países.

Indonésia, Filipinas e Vietnã aparecem como alternativas para a comercialização de grandes volumes. Já Japão e Coreia do Sul são considerados mercados estratégicos para cortes nobres, que podem alcançar maior valor agregado.

Paraná busca ampliar exportações de alto valor

No Paraná, a estratégia inclui ampliar a participação das agroindústrias nos mercados internacionais de maior exigência e valor comercial. Atualmente, apenas 11 propriedades rurais paranaenses possuem certificação no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) para atender às exigências da União Europeia.

A liderança da FAEP defende o fortalecimento da pecuária estadual por meio da oferta contínua de animais provenientes de cruzamento industrial. O atendimento às exigências sanitárias e o apoio de adidos agrícolas nas embaixadas também são apontados como medidas importantes para abrir novos mercados.

O cenário reforça a importância da diversificação dos destinos comerciais, da qualidade da produção e da adequação às exigências internacionais para sustentar a presença brasileira no mercado global de carne bovina.

Capital News



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