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Por: Soares Filho | 30/10/2026 00:12
O governo federal criou uma força-tarefa interministerial para receber e apurar denúncias de violência contra comunidades indígenas após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). O anúncio foi feito pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, em meio à repercussão de ameaças registradas em Mato Grosso do Sul, incluindo o caso de dois servidores municipais de Tacuru que sugeriram envenenar a água consumida por indígenas.
A força-tarefa reúne os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Segundo Eloy, uma equipe foi designada para receber os relatos, identificar os denunciados e encaminhar as informações aos órgãos responsáveis pela investigação.
“Criamos aqui no âmbito do governo federal uma força-tarefa envolvendo o Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Igualdade Racial e Ministério dos Direitos Humanos. Então nós temos uma equipe dedicada que está recepcionando essas denúncias, dando o devido tratamento, encaminhamento, identificando todos os autores que são denunciados”, afirmou o ministro, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Eloy informou ainda que o Ministério da Justiça requisitou às corregedorias estaduais e do Distrito Federal informações sobre denúncias recebidas após a eleição. O objetivo é centralizar os registros e permitir o acompanhamento das providências adotadas em cada caso.
Outra medida anunciada é a criação de um canal direto de atendimento pelo WhatsApp, com um servidor do Ministério dos Povos Indígenas responsável por receber denúncias. O número não foi informado na gravação transcrita.
O ministro também confirmou que parte dos casos encaminhados à PF (Polícia Federal) já resultou na instauração de inquéritos. Ele não especificou quantas investigações foram abertas nem quais episódios estão incluídos.
“Alguns dos casos que nós já enviamos para a Polícia Federal já tiveram inquérito instaurado e nós vamos seguir aqui combatendo todo tipo e toda forma de violência contra as comunidades indígenas”, declarou.
Ameaças em MS – A mobilização federal ocorre depois que denúncias de ameaças e intimidações contra indígenas ganharam repercussão em Mato Grosso do Sul. O caso mais conhecido foi registrado em Tacuru, a 420 quilômetros de Campo Grande, onde dois servidores municipais trocaram áudios com ofensas à população indígena após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma das gravações, um dos homens sugere colocar veneno na água consumida pelas comunidades. A conversa foi divulgada na segunda-feira (26) pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).
Campo Grande News