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Domingo, 03 de Julho de 2022

Notícias/Política

Desinteresse por eleição e candidatos rejeitados aumentam índice de abstenção

De 2016 até os dias atuais, é cada vez mais alto o número de eleitores que não vão às urnas em MS.

Desinteresse por eleição e candidatos rejeitados aumentam índice de abstenção
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Em Mato Grosso do Sul, o índice de abstenção nas eleições, episódio que ocorre quando o eleitor voluntariamente desiste do direito político, não indo às urnas, tanto nas disputas municipais quanto estaduais, tem crescido a cada pleito.  

Em Campo Grande, por exemplo, dos 612.417 eleitores, 25,14% ou 154 mil não foram votar. Quatro anos antes, em 2016, à época com 595.174 votantes na cidade, o chamado índice de abstenção bateu a casa dos 19,20%, ou seja, 114.287 não foram aos locais de votações.  

E por que milhares de eleitores querem distância das zonas eleitorais? O Correio do Estado ouviu dois sociólogos e professores, Daniel Miranda e Paulo Cabral.

“Tem um pouco de tudo, mas podemos pensar o seguinte: como a abstenção é relativamente estável, provavelmente é mais desinteresse com as eleições em geral [e com os políticos também]”, afirmou Daniel Miranda.

Paulo Cabral concorda com o colega e acrescenta: “A abstenção cresce onde há uma marca forte de rejeição”, ou seja, para o professor, menos eleitores ou eleitoras vão votar quando julgam a índole do candidato como “ruim”.

A abstenção cresceu também nos dois últimos sufrágios estaduais, período de eleição de governador, deputados estaduais e federais e senadores.

Em 2014, por exemplo, ano em que o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) venceu o seu primeiro mandato. Naquele ano, dos 1,8 milhão de eleitores, 373,3 mil (20,53%) deram às costas para as eleições.

Quatro anos depois, em 2018, com 60 mil eleitores a mais no pleito eleitoral, a abstenção subiu para 21%, o que quer dizer que 398,3 mil eleitores não votaram.

O sociólogo Daniel Miranda assim interpreta a questão: “Provavelmente, as pessoas que se abstém [não votam] avaliam que não fará diferença se o candidato ou o partido ‘x’ ou ‘y’ vencer. Se não faz diferença, então, por que ir votar?”.

“Além disso, quando as pessoas avaliam [corretamente ou não] que a eleição já está ‘decidida’, elas tendem a se abster mais também, pelo mesmo motivo: ‘Meu voto não fará diferença, não mudará nada, então, não vou’”, explicou Miranda.

Já para o sociólogo Paulo Cabral, “o eleitor se desencanta com a política. Na realidade, as pessoas necessitam de salvador da pátria e, depois, descobrem que não há salvador da pátria. A questão da corrupção também pesa [na abstenção]. Na eleição que passou, por exemplo, votaram no Bolsonaro [presidente] vendo nele o salvador da pátria. Depois surgiu o Moro [Sergio Moro, ex-juiz federal que chegou a ocupar a condição de pré-candidato à Presidência] como o paladino da moralidade. E não há paladino da moralidade. Vai surgindo a crise de representatividade, vai minando”, disse Cabral.

FONTE/CRÉDITOS: Correio do Estado
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