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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

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Risco de desabastecimento do diesel é real e pode gerar caos

Petrobras cita demanda externa, início da colheita da safra de grãos e temporada de furacões como dificuldades para manter estoques no segundo semestre

Risco de desabastecimento do diesel é real e pode gerar caos
Ilustrativa
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Depois de aumentos sucessivos nas bombas e com a última alta de preço a completar 19 dias, a pressão sobre o diesel complica ainda mais o cenário econômico do País. De acordo com declaração do presidente Jair Bolsonaro (PL), o estoque atual da Petrobras durará, no máximo, 40 dias.  

Na última semana, conselheiros da Petrobras se reuniram para debater um eventual desabastecimento. Do encontro, um documento foi elaborado e enviado para o Ministério de Minas e Energia (MME), alertando para o perigo de ocorrer um racionamento no segundo semestre.  

O Correio do Estado conversou com especialistas e economistas sobre o tema e ainda há uma certa cautela na hora de projetar os próximos meses. Apesar disso, eles são unânimes em dizer que, caso o cenário se confirme, será um caos na logística do País.  

O mestre em Economia Eugênio Pavão comenta que tudo isso é motivado pelo represamento do reajuste do diesel.  

“O preço defasado está levando a menor produção para o mercado, colocando em risco a distribuição de mercadorias no País e em MS”, disse.  

Para Pavão, as repercussões podem ser catastróficas, caso não haja alternativas para estimular a oferta do insumo.  

“Como aumento do diesel não está sendo cogitado pelo governo, o risco de um desabastecimento é uma possibilidade palpável. Ou a importação do diesel, com redução de taxas de importação. Entretanto, os preços instáveis do mercado internacional podem causar uma reação dos caminhoneiros, o que levaria a uma maior inflação e instabilidade política e social”, conjecturou. Diretor-executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes (Sinpetro-MS), Edson Lazarotto comenta que é um perigo iminente, mas, mesmo assim, é necessário esperar o desenrolar da oferta mundial do produto.  

“Desde o começo da guerra se fala sobre essa possibilidade. A logística de importação está complicada, e a Rússia entra no mercado quando ele está aquecido e sai quando bem entende”.

O dirigente ainda avalia que é preciso esperar um pouco, pois a informação oficial é de que há estoque de 40 dias do combustível para todo o Brasil.  

“O preço está bem aquém para importar, o governo repassa o preço, e temos apenas 70% de capacidade de refino para o mercado interno. Caso a coisa falte, pode fazer escalonamento, mas não está bem esclarecido”, explicou o diretor do Sinpetro.

Questionado sobre a possibilidade de ter estoque do produto, o representante do setor foi categórico.  

“Não tem como fazer estoques, principalmente postos de rodovias. Um posto ótimo com bom volume de vendas aguenta, no máximo, três dias”, finalizou Lazarotto.  

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